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Como falar sobre luto com as crianças?

Desde o início da pandemia, pessoas do mundo todo foram obrigadas a lidar com a perda de entes queridos em velocidade maior que o habitual. Os óbitos constantes e inesperados despertaram dúvidas sobre como falar para crianças que alguém morreu.


Infelizmente, uma estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que, até abril de 2021, pelo menos 45 mil crianças brasileiras haviam perdido pai, mãe ou ambos para a doença.


Além dos pais e responsáveis, os quase meio milhão de óbitos até junho de 2021 também incluem tios, tias, avôs, avós e outras pessoas com as quais essas crianças tinham proximidade. Os adultos, além de lidar com a dor da partida, enfrentam a dura missão de comunicar o luto para os pequenos. Confira algumas dicas sobre o assunto.

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| O que dizem os especialistas


Ana Teresa Barros Marzolla, psicóloga especialista em luto do Plano Prever, explica que a melhor forma de abordar a criança para falar que alguém morreu é com sinceridade e transparência.


“Crianças não nascem sabendo o que é a morte e, consequentemente, não têm os mesmos temores e angústias que os adultos. Da mesma forma que aprendem as cores, números e palavras, podem aprender o que é a morte, se forem ensinados no devido tempo, compreendendo ser parte da vida de todos”, explica.


A noção de que a morte é irreversível é a pessoa que partiu não vai mais voltar aparece dos 4 aos 7 anos. Contudo, é a partir dos 7 que a criança pode vivenciar um processo de luto profundo, já que sua capacidade de compreensão sobre a finitude da vida é semelhante à de um adulto.


| Como dar a notícia


Ao falar de morte com os filhos ou outras crianças, deve-se evitar alguns verbos no passado — dormiu, viajou ou descansou — bem como expressões lúdicas, do tipo “seu avô virou uma estrela”.


Por entender e interpretar conversas no sentido literal, a criança pode ficar esperando que a pessoa volte. Opte sempre por falar a verdade, que a pessoa morreu e não vai mais voltar.

| Reações Esperadas


Veja algumas das reações passageiras mais comuns em crianças que perderam os pais ou um ente querido:

  • Apresentar alguns retrocessos, como, por exemplo, falar como bebês;

  • Medo do escuro ou de ficar sozinha;

  • Queda no rendimento escolar;

  • Interação social afetada;

  • Perda do interesse pelas coisas que gosta ou do apetite.


Ana Teresa destaca que, independentemente de qual seja a reação da criança, os adultos precisam confortá-los com palavras e atitudes carinhosas sempre que necessário.


Tão importante quanto saber como falar que alguém morreu, é respeitar o luto das crianças. Assim como os adultos, cada uma vai lidar com a situação de uma forma particular. Fique atento ao comportamento e não hesite em procurar ajuda especializada caso seja necessário.

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